segunda-feira, junho 02, 2008

Programas da Globo - política social ou entretenimento?

Assistindo a parte final do quadro Soletrando do programa "Caldeirão do Huck", em homenagem a Machado de Assis, não pude conter a emoção. O garoto Éder Coimbra, 15 anos, do interior de Minas Gerais, de família pobre e humilde (os pais ganham R$ 200,00 para sustentar 6 pessoas, sendo que R$ 120,00 é do Bolsa Família) saiu vencedor depois de uma disputa com duas meninas muito inteligentes, dos estados do RJ (3ª colocada) e PR (a vice-campeã de colégio militar e tudo). Na matéria abaixo, alguns que assistiram creio que o programa na íntegra não tiveram a mesma reação. Isso por causa de um suposto favorecimento ao menino por parte da produção do programa. Como não observei tal irregularidade nos poucos minutos que assisti, não me atrevo a comentar. Mas o que me chamou mais a atenção foi o esforço desse menino. Independente da existência de favorecimento ou não, ele era sem dúvida o melhor. Isso porque enquanto as meninas pediam todas as dicas (repetir 2 vezes, sinônimo, classe gramatical, aplicação na frase e significado), o mineirinho mal pedia às vezes pra repetir. Era nítido que, mesmo com parcas condições, ele havia estudado muito para estar ali. Mesmo que tenha havido algum favorecimento, creio que não foi o suficiente para comprometer o resultado. E mesmo que tenha sido, ao menos foi para quem mais precisava. Quando se trata de educação, acho difícil querer tratar os desiguais de forma igual. De qualquer modo, espero que o Éder não tenha sido campeão graças a uma interferência oculta da produção, e sim por seus próprios méritos. Afinal, um garoto pobre ganhar um concurso de soletração, sendo pelo menos tão inteligente quanto outras tantas crianças com melhores condições que ele, é um acontecimento maravilhoso e devia ser comemorado e admirado pelas pessoas. Porém, ao invés disso, alguns preferem ressaltar detalhes que não chegaram a definir o resultado do concurso.
Talvez o problema é que em outros quadros do próprio Caldeirão do Huck, bem como no BBB, essa suspeita já ocorreu. No BBB, das suas 8 edições, pelo menos em 6 os que ganharam eram provenientes de famílias de classe baixa ou mesmo pobre. Porém, em geral, era a própria população que votava favorecendo os mais humildes. Aí, para sempre culparem a Globo, diziam que a edição do programa tendia a favorecer os mais pobres, nos dias em que eles mostravam os "melhores momentos". Daí que fica a dúvida: alguns programas da Rede Globo são para que a instituição faça política social ou para mero entretenimento? Essa dúvida causa o seguinte problema: parece que essa resposta nem a própria emissora tem. Porque ela pode fazer ações sociais de distribuição de renda quando finge que está fazendo entretenimento ou usa o expediente das ações comunitárias para aumentar a audiência. De qualquer modo, os telespectadores têm razão ao reclamar quando se sentem enganados. Mas estes têm opção: troquem de canal. Eu confesso: pude até ser enganado, mas assistir aquele garoto ganhando o Soletrando me causou tamanha comoção que eu agradeço à produção do quadro e ao Luciano Huck pela transmissão daquela cena. Fez-me pensar como este programa, o Bolsa Família, é importante, como a escola é imprescindível, como o esforço é recompensado, como devemos lutar mesmo na adversidade e como a vida nos põe obstáculos para que a gente os supere, mas também superemos os nossos medos e nossas limitações. Enfim, torço para que o Éder possa ter um bom futuro daqui por diante, faça uma faculdade e tenha sucesso.
Quem quiser ler a matéria sobre o programa, bem como os comentários e críticas, veja no link abaixo.
Quadro 'Soletrando' tem campeão nacional 2008 - O Globo Online

1 Comentários:

Às 4:30 PM , Blogger Sasá disse...

Espetacular o post... adoro evidências do êxito de pessoas que, apesar da adversidade, se empenharam para construir um futuro melhor. Vide o caso do morador de rua que passou num concurso do Banco do Brasil. Excelente!

 

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